Plantão na Pediatria

Por OGS SAUDE | 30 de julho de 2021

Se existe um momento transformador na vida de um médico, é quando finalmente inicia seus plantões sem a supervisão de um tutor. O primeiro voo de um pássaro.


“I believe I can fly” 

Todas as vezes que você vai ao hospital, auxilia ou realiza uma cirurgia, tem contato com o paciente, você com certeza vai sair de lá transformado. Aquela sensação maravilhosa que vai de felicidade a esgotamento. Ou quando você vira madrugadas estudando matérias muito difíceis porque sabe que aquilo vai ajudar alguém. Tudo isso é maravilhoso, mas o dia a dia dentro de um hospital não é um mar de rosas. O cotidiano, estressante pode te deixar muito desmotivado e quando você lida com crianças existem certas peculiaridades do nosso ofício que não adianta ensinar, é preciso experenciar.  

Não sei o que falar, só sentir.

Por isso o time da OGS reuniu aqui algumas informações valiosas para você que está pensando em se especializar em pediatria ou começar a fazer plantões na área. Vem comigo que vamos explicar tudinho sobre como é a vida de um plantonista em pediatria.

Prática Adulta x Prática infantil

A Primeira coisa que precisamos ter em mente é que existem certas barreiras na hora de se inserir na prática médica, principalmente quando falamos em pediatria.  Por exemplo, fazer uma sutura, colher gasometria arterial ou uma sondagem vesical, na prática, pode ser mais desafiador do que estamos acostumados. Existe todo um contexto que difere um atendimento infantil à experiência adquirida com um adulto ou em sala de aula. A dificuldade pode variar de pessoa para pessoa, o que as vezes o que pode ser mais fácil para você, não necessariamente é mais fácil para todos e vice-versa. O processo de aprendizagem prática é longo, mas com o tempo tudo tende a ficar mais natural. Nossas primeiras vezes são sempre sujeitas a erros e por isso é necessário contar com uma equipe competente para lhe dar o devido suporte.

 

 

Comunicação

Outra situação que é bem diferente da teoria é a comunicação. Principalmente porque não estamos lidando apenas com as crianças, mas também com o seu responsável. Por mais que estudemos formas e ferramentas para abordagem, a prática pode ser um grande desafio, pois nem todas as técnicas serão efetivas para todos. E a solução para isso é a experiência. Apenas com o cotidiano você entende de forma prática como iniciar um diálogo para definir qual será o tratamento, a linguagem certa de explicar ao responsável.

 

Pendências

Parece meio óbvio, mas muita gente vacila na hora de checar as pendências. E esse é um descuido frequente até para quem já está acostumado com o cotidiano do plantonista, seja pediátrico ou adulto. Uma dica é sempre preparar um checklist sobre tudo que está sendo feito. A OGS já fez um post falando sobre os principais aplicativos que podem te dar uma mão na hora de organizar suas pendências e diminuir a probabilidade de esquecer alguma coisa. Você pode conferir essa lista aqui.

Mas para ajudar a manter o seu cronograma em dia., vamos falar um pouco sobre como é o plantão na maternidade e pediatria.

O plantão começa pela ronda. Pela manhã o pediatra passa na maternidade e faz uma avaliação dos bebês que nascem ali.

No alojamento você avalia todos os bebês que estão com a mãe. Com muita delicadeza e paciência, pois para fazer o exame físico é necessário tirar toda a roupinha do bebê, fazer a ausculta pulmonar, ausculta cardíaca, avaliar a fontanela (regiões da cabeça de um recém-nascido que não são envolvidas pelos ossos do crânio), verificar se não tem nenhuma mancha ou lesão, procurar sinais de icterícia, etc. Fazer as perguntas de praxe para mãe, sobre as necessidades fisiológicas da criança, examinar principalmente a genitália dos meninos. É raro, mas as vezes é necessário fazer uma intervenção na fimose antes dos 2 anos de idade.

Essa ronda é um processo demorado porque além das visitas, existe toda a parte burocrática. Para aqueles que estão de alta tem toda a papelada que precisa ser feita. Outras crianças ainda precisam de exame. Para as que não estejam mamando bem, você precisa solicitar a avaliação da fonoaudióloga. Infelizmente, ainda existem muitos casos de nascimentos com sífilis ou toxoplasmose congênita e você precisa fazer o acompanhamento de todo tratamento.  É papel do pediatra também receber o bebê após o parto, então, pode ser que seja necessária sua presença também na sala de cirurgia.

Estresse e Maturidade Emocional

O nome no meio de qualquer estudante de medicina é Estresse.

Estamos acostumados a lidar com altos níveis de pressão e cansaço desde o primeiro dia que resolvemos estudar medicina. Mas o estresse do trabalho prático é bem diferente do que temos nos estudos.  Muitas vezes a pouca experiência pode atrapalhar quando você entra em contato com realidades diferentes, por vezes chocantes. Geralmente nos sentimos mais preparados a lidar com situações difíceis que envolvam adultos. Mas se deparar, por exemplo, com uma situação de violência contra incapaz, onde exige sua intervenção para solicitar socorro a setores legalmente responsáveis, ou quando você se depara com um diagnóstico de câncer tardio, pode impactar seriamente o seu estado emocional. Nem sempre conseguiremos salvar uma criança, nem sempre somos os heróis. Nós sabemos que esse é um trabalho em equipe, e o máximo que podemos fazer é trazer conforto e minimizar os danos.

 

Somos todos humanos e cheios de limitações. As vezes a pouca experiência ou falta de conhecimento necessário pode atrapalhar, as vezes é o próprio sistema. Não podemos mudar tudo e precisamos aceitar nossa parte na construção de um mundo melhor.

A maturidade emocional vem com a prática. As vezes só precisamos respirar fundo, contar até 10 ou até pedir ajuda de alguém. Você poderá contar com a Equipe de Coordenadores e plantonistas administrativos da OGS que estarão lá para lhe auxiliar sempre que precisar. 

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