Setembro Amarelo na Medicina

Por OGS SAUDE | 27 de setembro de 2021

Este é um tema delicado, trabalhar cuidando e protegendo a vida humana é o ofício com o propósito mais nobre e gratificante da nossa sociedade. Contudo, nesse mês de Setembro Amarelo, precisamos falar sobre como os desafios dessa área podem impactar a saúde mental de alguns médicos e o que fazer para ajudar e salvar a vida daqueles que salvam vidas.

 

ANTES DE COMEÇARMOS, ALGUNS DADOS:

O suicídio é considerado um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma a cada 100 mortes acontece por esse mal. Essa é uma das 10 principais causas de morte no mundo e a terceira maior entre jovens de 15 e 34 anos. Nos últimos 40 anos a taxa de mortalidade por suicídio aumentou em 60%. Só no Brasil, em 25 anos, essa taxa cresceu cerca de 40%. Entre 2010 e 2019, aproximadamente 112.230 brasileiros tiraram a própria vida, sendo 13.523 só em 2019. Estamos entre os 10 países com a mais alta taxa de suicídio no mundo.

Estudantes de medicina e médicos fazem parte da população de risco. Alguns estudos apontam que a taxa de suicídio entre médicos é de 3 a 5 vezes maior do que outros grupos acadêmicos (Fonte Scielo).  Entre os médicos brasileiros é 70% maior que na população em geral, de acordo com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo.

 

FATORES DE RISCO NA POPULAÇÃO MÉDICA

Um estudante de medicina sonha em passar no curso mais concorrido do país e para isso passa muitos anos estudando, sofre uma forte pressão, requer uma enorme dedicação e uma rotina desgastante. Com grandes expectativas podem vir também frustrações, cobranças e grandes responsabilidades.

Além do fato de lidarem com estudos, provas e procedimentos para cuidar da vida de outra pessoa, a carga emocional que precisam administrar é muito grande. Muitas vezes esses estudantes ainda têm que passar pelo estresse de mudança de cidade, saída da casa dos pais, pressão pelo alto desempenho e expectativa da família.

Quando começam o atendimento precisam lidar diariamente com a morte e o sofrimento humano. No final do curso, o estudante faz o internato que é uma imersão profunda onde passam em média 40 horas no hospital vivenciando toda a experiência da profissão, podendo se deparar com situações difíceis - como pela manhã conversar normalmente com o paciente e no final do dia, precisa ajudar na necropsia daquela mesma pessoa. Não fazemos ideia, mas isso pode afetar muito o estado mental do médico.

Depressão é um dos transtornos mentais mais associados ao risco de suicídio. Um estudo realizado com 400 estudantes de Medicina na cidade de Uberlândia, indica que no Brasil,  79% dos alunos apresentaram algum sintoma depressivo, sendo 29% com grau leve, 31% moderado e 19,25% grave.

Os principais fatores estressores na área médica são: grande carga de trabalho, privação do sono, dificuldade com pacientesambientes insalubres, contato intenso e frequente com a dor e o sofrimento, lidar com a intimidade corporal e emocional, contato com a morte, incertezas e limitações do conhecimento médico, preocupações financeiras e sobrecarga de informações.

 

MULHERES MÉDICAS TEM MAIS RISCO DE SUICÍDIO

Alguns estudos apontam que as mulheres médicas tentam suicídio de 250% a 400% mais do que as mulheres da população geral. (Revista Pesquisa)

As questões de gênero e mercado de trabalho, como desigualdade de cargos e salários também se aplicam ao meio médico. Mulheres sentem que durante muito tempo a medicina era um espaço masculino. Mas essa é uma realidade que vem mudando cada vez mais. Atualmente mais de 60% dos formandos em medicina são mulheres.  O aumento do número de mulheres na medicina também corrobora para o aumento de casos. Alguns fatores estressores para mulheres são o aumento de comorbidades psiquiátricas, falta de gestão de tempo, sobrecarga de trabalhos (doméstico e profissional) e diferenças de gênero no mercado.

 

SINAIS

Colegas de médicos que cometeram suicídio apontam mudanças significativas no comportamento como o aumento de indecisão, desorganização e depressão de 2 a 4 meses antes da tentativa ou ato, além dos sinais também vistos na população em geral como a tentativa prévia, depressão, exaustão, ideação suicida verbalizada, cessão de medicação psicotrópica e o uso abusivo de drogas e álcool.

Também são fatores relevantes o conhecimento farmacológico, o livre acesso através dos hospitais, auto prescrição e até amostras grátis fornecidas pelas indústrias farmacêuticas, que tornam altamente letais tentativas de suicídio.

 

PREVENÇÃO

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) publicou uma cartilha sobre o assunto, que embora não seja específica para o meio médico norteia ações e auxilia na busca por prevenção. Você pode acessar o link aqui.

90% dos casos de suicídio podem ser prevenidos, desde que existam condições mínimas para oferta de ajuda voluntária ou profissional.  E isso não é diferente na saúde.  Identificar os sinais e procurar ajuda especializada são as principais ações profiláticas.  Outras ações de apoio são: aumentar contato com familiares e amigos, buscar e seguir tratamento adequado para doença mental, envolvimento em atividades religiosas ou espirituais, iniciar atividades prazerosas ou que tenham significado, reduzir ou evitar o uso de álcool e outras drogas.

 

A OGS SE PREOCUPA E CUIDA DOS SEUS MÉDICOS

Para a OGS é imperativo o bem-estar do corpo médico. Nossos plantões são cuidadosamente selecionados visando o conforto do nosso profissional.

O suporte que nossa equipe de Coordenação e Administração fornece vai além das questões burocráticas e da garantia de um pagamento justo e em dia. Nós oferecemos todo o suporte técnico para os principais problemas estressores que o médico poderá passar durante sua jornada de trabalho - do recém-formado ao especialista.

Procuramos ter ações que criem um ambiente acolhedor, com equidade e qualidade de vida, de respeito e transparência, que promove a colaboração, a comunicação e a escuta ativa, criando redes de contatos e apoio onde o médico é valorizado e ouvido.

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Fontes

https://www.scielo.br/j/ramb/a/sLz9dgQvGZsPvyFNGjHNSWv/?lang=pt

https://www.scielo.br/j/rbem/a/6pV5WNgjDJkfsTGp9RZ5Cnf/?lang=pt

https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/especial-publicitario/quero-bolsa/bolsas-de-estudo/noticia/2018/08/22/medicina-por-que-o-suicidio-nesse-curso-e-tao-comum.ghtml

https://revistapesquisa.fapesp.br/mulheres-tem-risco-maior-de-suicidio-entre-estudantes-de-medicina/

https://www.paho.org/pt/noticias/17-6-2021-uma-em-cada-100-mortes-ocorre-por-suicidio-revelam-estatisticas-da-oms

https://www.gov.br/saude/pt-br/media/pdf/2021/setembro/20/boletim_epidemiologico_svs_33_final.pdf

http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Jornal&id=2223

https://www.youtube.com/watch?v=ztr7-GxTkjU

https://www.youtube.com/watch?v=C3iPXXH7-VQ

https://www.youtube.com/watch?v=97xzoA90DKs

https://revistapesquisa.fapesp.br/mulheres-tem-risco-maior-de-suicidio-entre-estudantes-de-medicina/